Já pensou em visitar um campo de concentração da Segunda Guerra Mundial? Tem dúvidas sobre o que encontrar?

Te contamos sobre a nossa experiência no campo de Sachsenhausen que nos fez abrir o olhar para o que aconteceu nesse período histórico nebuloso.

Um pouco da história do campo de Sachsenhausen 

 

O campo de concentração de Sachsenhausen foi construído durante o verão de 1936, por prisioneiros dos campos da região. Foi planejado para ser um campo modelo e de treinamento, próximo á Capital do Reich, Berlim. Nesse período a política de violência e extermínio ainda não estava totalmente em vigor.

 

Sachsenhausen foi um dos três maiores campos de concentração do regime nazista na Alemanha. No portão de entrada do campo encontramos os dizerem ‘O trabalho te fará livre’, que posteriormente virou lema dos demais estabelecimentos.

 

Entre os anos de 1936 e 1945, mais de 200 mil pessoas foram aprisionadas ali. No começo do Nacional-Socialismo, o campo foi destinado a opositores do regime político nazista.

 

Memorial de Sachsenhausen

Porém, posteriormente, foi ocupado também por minorias raciais e biológicas consideradas inferiores, e a partir de 1939, por cidadãos provindos de países ocidentais ocupados pela Alemanha.

 

Milhares de prisioneiros morreram de fome, por doenças, em virtude de trabalhos forcados e abusos, enquanto outros foram vítimas dos assassinatos sistemáticos da SS.

 

Após a descoberta da prisão por soldados soviéticos e poloneses, em 22 de abril de 1945, 18 mil prisioneiros foram libertados. Outros 3 mil permaneceram no local devido a doenças. O relógio da torre central marca a hora exata da primeira evacuação do campo.

 

Ainda em 1945, Sachsenhausen transformou-se em uma prisão para os nazistas sob o comando dos soviéticos. Até o fim do campo, em 1950, foram presas aproximadamente 60 mil pessoas, das quais 12 mil morreram de desnutrição ou vítimas de doenças.

 

Detalhe para o relógio

Com a desocupação do campo pelo Exército Popular da República Democrática Alemã, no ano de 1956 começa um plano de transformar o local no Monumento Nacional Comemorativo de Sachsenhausen. Os arquitetemos decidiram manter apenas alguns poucos edifícios originais.

 

Depois da reestruturação, o Memorial é Museu Sachsenhausen se tornou local garantias de memória. No antigo campo de prisioneiros, os barracões já desaparecidos foram marcados por identificarão no piso, que facilitam a visibilidade e compreensão do modelo de “Geometria do Terror Total“.

 

Nossas impressões da visita a Sachsenhausen 

 

Confesso que tivemos muitas dúvidas se deveríamos visitar um local palco de tantas mortes e sofrimentos. Concluímos que para nos aprofundar nas histórias que ouvimos durante anos na escola, e efusivamente por documentários, tínhamos que ir.

 

Escolhemos o Sachsenhausen pela sua localização, pela sua estrutura para visitantes e sua história.

 

Barracões 38 e 39 de Sachsenhausen

Entrando pelos portões sentimos um clima muito estranho, triste mesmo. O silêncio do local demonstra o respeito e a perplexidade dos visitantes.

 

A área é impressionantemente grande, o que nos leva a pensar a quantidade de pessoas que passaram por ali.

 

Existem dois barracões preservados. O Barracão 38 abrigou prisioneiros judeus entre os anos de 1938 e 1942. Nesse lugar tivemos uma dimensão de como era o tratamento dados aqueles seres humanos. Onde dormiam e como sobreviviam. É de arrepiar. Me senti em 1945, senti o medo impregnado nas paredes.

 

No Barracão 39, com meios audiovisuais, exibição tematiza a vivência cotidiana dos prisioneiros de Sachsenhausen. Lá temos uma exibição sobre as histórias dos que ali viviam. E objetos deixados para trás.

 

Não conseguimos chegar no crematório, nas fossas e em outros lugares relacionados a ações de extermínio em massa.

Dicas da visita

Fotos do Memorial

Nas épocas de calor, o campo costuma receber muitas visitas, principalmente de grupos, então se atente ao horário de abertura, e tente chegar cedo.

 

O audioguide é indispensável. Vale a pena ouvir cada uma das marcações. São relatados histórias dos prisioneiros sobreviventes, dos guardas e dos historiadores. 

 

Existem também tours guiado sem diversas línguas. Se você preferir, pode escolher por essa opção. Custa 15 euros por pessoa.

 

Os horários são variados, de uma olhada no site oficial do Museu para não dar com a cara na porta. A entrada é gratuita.

 

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11 Responses to Uma visita ao campo de concentração de Sachsenhausen
  1. Eu visitei Dachau, perto de Munique e confesso que até então não tinha noção do quão duro pode ser a visita a um lugar desses, Ver as imagens, ouvir os depoimentos, estar nos barracões, câmara de gás e imaginar (só podemos imaginar) todo o sofrimento causado naquele local teve um impacto muito grande para mim.

    Ainda mais que estávamos vindo de uma semana em Nuremberg onde visitamos o Centro de Documentação que reconta em detalhes a história nazi e o Tribunal de Nuremberg, onde alguns líderes foram julgados, então de certa forma, os conheci! Quando cheguei em Dachau, portanto, o terror tinha nome, sobrenome e muitos detalhes.

    Eu nunca tive dúvidas de que queria visitar. Pode parecer loucura mas acho que nos tornamos mais humanos quando estamos diante de fatos tão hediondos, porque não queremos parecer minimamente com aqueles torturadores. Foi um dos textos mais difíceis que já escrevi para o EPM.

    Pelo que você conta Sachsenhausen tinha a mesma dinâmica de Dachau. Acho importante que essa história seja contada para que nunca seja esquecida e para que tentemos não repeti-la. Gostei de ler suas impressões e sobre o que viu em Sachsenhausen.

  2. Que legal, quero visitar para conhecer um pouco da história. Sei que é duro ir em locais assim onde se passa muita tristeza mas Também muitos atos heróicos.

  3. Realmente, visitar um lugar desse deve ser de arrepiar. Muita energia negativa né? Mas temos que olhar para o passado pra não repetir os erros no futuro.
    Uma dica: aumentar as fotos.

  4. Comentário *Visitei uma mostra que reproduzia essa frase do portão. Tinha as roupas dos prisioneiros, as histórias, os objetos e os testemunhos dos judeus italianos que sobrebiveram. Foi um soco no estômago e acho que nunca chorei tanto em uma mostra. Quero visitar Sachsenhausen.

  5. taí um lugar triste e com muita história, é um turismo informativo e dark, mas é necessário para mostrar que realmente aconteceu …

  6. Conheci esse campo de concentração e fiquei emocionado, a energia é super forte né? Parabéns pelo relato.

  7. Deve ser um lugar um pouco estranho mesmo de se ir, mas que faz muito sentido ir para ver com os próprios olhos.
    Gostei muito das fotos e da narração.
    Infelizmente não tive a oportunidade de ir, mas me senti parte da experiência.

  8. Acho que não tenho muita vontade de conhecer esse tipo de lugar. Conhecer a história é importante, foi uma época de muito sofrimento, mas também existiram heróis, como Oskar Schindler, um empresário que salvou muitas vidas conforme relato do filme “A Lista de Schindler” de Steven Spielberg (1993).

  9. Nossa, não vejo a hora de visitar e sentir todo o peso desse tipo de ambiente. Não porque goste de saber como milhares (talvez milhões) de pessoas tenham morrido, mas sim para reviver de certo modo esse período negro de nossa humanidade. Fantástico relato, parabéns!

  10. Ahh, esses lugares são de arrepiar. Pesados pra visitar mas importantes pra não deixar a história se apagar. Parabéns pelo post. Abraços, Lala Rebelo


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